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[França] Prostitutas, freiras e anarquistas: a história não contada das mulheres que moldaram Paris

Um dos bairros mais icônicos de Paris foi fortemente influenciado por um conjunto diverso de mulheres: prostitutas, freiras, uma artista travesti e ativos revolucionários. Seu papel, frequentemente negligenciado nos livros de história, é o centro de um novo conceito de turismo que focaliza nas mulheres francesas que moldaram a capital.

“É o tipo de coisa que, uma vez que você percebe, está em todos os lugares”, disse Heidi Evans, uma guia de turismo de 30 anos, enquanto ela mostrava um coração pendurado no alto de um dos muros da Rue dês Abbesses, uma movimentada via do pitoresco bairro de Montmartre, norte de Paris.

Um “A” negro corta o vermelho do coração, dividindo-o em vários pequenos pedaços.

O símbolo, que está pendurado em diversas ruas do bairro turístico, foi colocado para homenagear o movimento anarquista liderado por Louise Michel, uma icônica francesa revolucionária e feminista.

Michel e seus seguidores foram cruciais para o movimento radical da Comuna de Paris, que conduziu uma luta armada contra o governo francês no início da década de 1870.

Louise Michel é uma das principais figuras apresentadas no mais recente tour que Evans está preparando, para a série “Women of Paris Walks”.

O passeio será realizado no 18º arrondissement da capital francesa, uma região diversificada e popular entre os turistas, internacionalmente conhecida por ser o lar da basílica Sacré Cœur e do Moulin Rouge.

Evans, que é britânica, veio a Paris em busca de aventura, fundando sua empresa de turismo em 2016, depois de se convencer de que as mulheres eram “um tema extremamente negligenciado no turismo de Paris”.

Seus passeios procuram mudar isso, contando a história de diferentes partes da cidade a partir de mulheres que a moldaram.

Normalmente, explicou Evans, passeios e relatos históricos sobre Paris eram focados em personagens masculinos – Napoleão, Luís XIV, Victor Hugo, Jean-Paul Sartre – além de ignorarem ou diminuírem o papel de mulheres importantes.

“O que é interessante sobre Louise Michel é que você realmente vê o nome dela com frequência pela cidade. Há uma estação de metrô e escolas com o nome dela”, disse Evans, acrescentando: “E, contudo, aposto que, se você perguntasse sobre ela a um parisiense comum, ele não seria capaz de te dizer”.

Louise Michel é, de fato, a única mulher francesa a ter uma estação de metrô batizada com seu nome (embora Marie Curie, nascida na Polônia, tenha uma estação nomeada ao lado do marido Pierre; e Simone Veil também nomeie metade de uma estação).

Ignorar o papel das mulheres na história não é, claro, algo limitado à França ou à história francesa. De toda a história registrada, pesquisadores calcularam que as mulheres representam apenas 0,5%.

Em Paris, uma nova geração de ativistas começou a pressionar por uma mudança de narrativa, exigindo que seja enterrado, de uma vez por todas, o “clichê da mulher parisiense” (a “femme fatale” branca, esbelta e impecável) e que as mulheres – todas, não apenas aquelas que são brancas e fisicamente perfeitas – sejam propriamente reconhecidas.

Uma foto tirada em 11 de abril de 1982 mostra uma atitude da cantora e atriz americana Liza Minelli durante um show de uma noite no cabaré Moulin Rouge, em Paris.

Evans disse que ela se considerava parte deste movimento e que foi por isso que sua mais nova turnê mundial focalizaria um grupo ao qual ela chamou de mulheres protagonistas “contrastantes”: freiras, prostitutas, artistas, revolucionárias – e uma dançarina travesti que se rebelou com um notório beijo lésbico no salão de exposições do Moulin Rouge.

“Se eu fosse criar passeios sobre mulheres, precisaria preparar aqueles que apresentassem mulheres de todos os tipos”, afirmou Evans.

Seu mais recente tour passará por Pigalle, historicamente a grande área de prostituição de Paris, perto da basílica Sacré Cœur.

Ao traçar os passos das mulheres cujas pegadas ainda se mantêm na capital hoje, Evans disse que pretendia mostrar os contrastes do bairro, que durante o final do século 19 e início do 20 foi lar tanto de um florescimento marcante para profissionais do sexo quanto para freiras que produziam vinho.

“A ideia é mostrar aos turistas uma Paris de tipo diferente, não apenas a versão clichê”, disse Evans.

Fonte: https://www.thelocal.fr/20200928/prostitutes-nuns-and-anarchists-the-untold-story-of-the-women-who-shaped-paris 

Tradução > Erico Liberatti

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agência de notícias anarquistas-ana

de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur




[Espanha] Despedida e reconhecimento a Héctor-Tobi da Biblioteca Social Reconstruir, Cidade do México

Não havia viagem confederal que passasse pela Cidade do México que não fosse para a Biblioteca Social Reconstruir para encontrar-se com Tobi. Com seu indescritível sorriso e amabilidade nos mostrava a grande quantidade de revistas, livros e cartazes que enchiam a Biblioteca e a história do anarquismo no México.

O último encontro que tivemos com ele foi em janeiro de 2019 e ali nos mostrava as revistas das e dos exilados que chegavam ao México após o golpe de estado franquista como a revista IPANEMA que se editava no mesmo barco rumo ao continente americano, ou a Revista Blanca ou os periódicos da CNT com espaços vazios em sua capa porque não haviam passado na censura republicana durante a Guerra Civil. Tobi nos contava que quando chegavam ao México estranhavam que ao invés de vir com meios de subsistência, chegaram carregados de livros, revistas e cartazes.

É que Tobi era uma biblioteca em vida, mas não se fechava entre os documentos, Tobi participava nas mobilizações e apoio ao movimento sindical. Não esqueceremos as histórias que nos contava na resistência contra a repressão sindical nas empresas e nos centros educativos.

Tobi, esta maldita pandemia te arrebatou a vida e já não poderemos continuar nos encontrando em nossa passagem pela Cidade do México. Desde a CGT, não esqueceremos o incalculável trabalho documental que realizastes estes anos, teu exemplo como militante anarquista e sobretudo tua amabilidade e sorriso.

Enviamos um abraço a todos os amigos e familiares que sentem como nós a tua perda.

Que tal terra te seja leve, companheiro.

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/sin-fronteras/despedida-reconocimiento-h%C3%A9ctor-tobi-la-biblioteca-social-reconstruir-ciudad-

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao longo da estrada:
“A próxima descida trará
Mais quaresmeiras em flor!”

Paulo Franchetti




Possibilidades de pressão sobre o regime ditatorial na Bielorrússia

Reflexões não apenas sobre como melhorar a situação dos anarquistas presos na chamada Bielorrússia, mas também sobre como contribuir para a queda da ditadura local.

Recentemente, anarquistas que já possuem vasta experiência com as repressões do regime de Lukashenko foram presos. Dmitry Dubovsky, Igor Olinevich, Sergei Romanov, Dmitry Rezanovich, Mikola Dziadok, Akihiro Gaevsky-Hanada entre outros. O motivo do processo é óbvio: eles resistiram à ditadura. O regime da Bielorrússia não é diferente de outras ditaduras. Não aceita resistência ativa ao próprio mal, mesmo que seja apenas a atividade de indivíduos ou pequenos grupos. A classe dominante percebe que depois de tantos anos de opressão, qualquer resistência tem grande potencial de enriquecer o movimento até que o regime seja subjugado e caia.

A repressão pelas estruturas que defendem o regime está crescendo à medida em que a resistência se torna massiva. Já existem milhares de pessoas nas ruas das cidades bielorrussas tentando derrubar o ditador. A maioria delas não tem outro objetivo senão estabelecer no país uma democracia parlamentar ao estilo ocidental. De uma perspectiva anarquista, isso pode ser visto como uma atitude inconsistente que não aborda a natureza fundamental do problema.

No entanto, duas conclusões positivas podem ser tiradas disso.

1. A própria pressão sobre o regime e a possível realização de seu colapso podem significar uma melhora na situação dos anarquistas e outros prisioneiros. Pode haver uma redução nas punições, melhores condições de prisão ou até mesmo libertações.

2. Qualquer rebelião contra a opressão, por mais reformista que seja no início, tem o potencial de se apegar posteriormente a objetivos revolucionários. A participação ativa das minorias revolucionárias pode contribuir para isso, pressionando por atividades para além dos limites da estrutura democrático-burguesa.

O que está acontecendo na chamada Bielorrússia não é uma revolução social como pensam os anarquistas. Não tenhamos ilusões, para não termos que lidar mais tarde com a dor da desilusão. Não busquemos nos eventos o que não existe. Mas também não tomemos a falta de conteúdo revolucionário como pretexto para deixarmos passivamente tudo de lado. É preciso não ter ilusões, mas ao mesmo tempo intervir na situação de forma anarquista. Tentar reverter o curso dos acontecimentos em favor dos objetivos anarquistas.

Alguns anarquistas na Bielorrússia tiveram suas sentenças reduzidas como resultado da pressão da comunidade internacional, organizações de direitos humanos, diplomacia e até mesmo de membros do Parlamento Europeu. Algumas pessoas agora relacionam suas esperanças a essas esferas. Embora a libertação antecipada seja um grande alívio para os camaradas e seus entes queridos, mesmo aqui é necessário ter cuidado com as ilusões. Se o regime de Lukashenko continuar a afrouxar as medidas repressivas sob pressão da diplomacia ou das elites governantes de outros países, isso não é um sinal de boa vontade. Não é uma ajuda altruísta. Normalmente, é uma escolha estratégica tornando o regime mais legítimo aos olhos dos críticos estrangeiros e, assim, aliviando a pressão internacional. A libertação de vários presos dá a impressão de que o regime reflete sobre seus erros e não quer continuá-los. No entanto, é uma manobra de encobrimento. O regime não muda no núcleo. Ele segue os mesmos trilhos, apenas agora com o apoio de defensores oficiais dos direitos humanos, que sem saber ajudam do exterior a criar uma melhor imagem do regime do que ele realmente é.

Qualquer melhora na situação dos camaradas presos é uma notícia muito positiva. Mas não vamos permitir que isso se torne uma desculpa para abandonar a perspectiva anarquista e a negação intransigente das estruturas autoritárias de todos os estados. Os membros do Parlamento Europeu e os diplomatas governamentais não podem ser celebrados sem crítica. Embora às vezes eles defendam a libertação de anarquistas da prisão, não estamos associados em uma parceria. Não devemos olhar para eles como esperança, porque seus objetivos significavam bloquear e obstruir nossos objetivos.

Igor Olinevich, um dos anarquistas presos, expressou ceticismo sobre a ajuda dos governos e suas instituições em seu diário de prisão “Estou indo para Magadan” em 2011, quando escreveu: “A Bielorrússia desempenha o papel de um país primariamente, ambientalmente e economicamente poluído através do gás de petróleo, da produção de plásticos, suplementos alimentares, fertilizantes, papel, cimento, etc. Em geral, a Europa pode adotar resoluções e realizar manobras decorativas sobre a democracia à vontade, mas a verdade é que não se importa com o estado de tais coisas em absoluto. `É possível também negociar com canibais` – essa é a essência da política europeia.”

Esta não é apenas uma expressão de desconfiança na política oficial. É também uma indicação de para onde as forças revolucionárias devem ir. Os governos e empresários da União Europeia estão principalmente interessados em um comércio internacional harmonioso. Se o regime de Lukashenko não os impedir de fazê-lo, eles não têm razão para exigir sua remoção. Como Igor Olinevich bem observou: “Não temos de onde esperar ajuda. Ninguém vai nos salvar, exceto nós mesmos.”

Se sabemos que a estabilidade do regime bielorrusso depende do comércio com os países vizinhos, conclui-se que o bloqueio desses negócios contribui significativamente para a desestabilização. Anos atrás, Igor destacou quais setores econômicos são fundamentais no país. Cada um de nós tem a capacidade de descobrir mais sobre atores econômicos individuais e suas posições nas regiões em que vivemos. E qualquer pessoa, mesmo com o mínimo de recursos, pode criar problemas ou interromper seus funcionamentos. O regime bielorrusso não é um fenômeno isolado fechado entre as fronteiras nacionais. Seus interesses econômicos e políticos se espalham pelo mundo. Rastrear e intervir faz mais sentido do que confiar nas manobras dos poderes.

Lukáš Borl, dezembro de 2020

Fonte: https://lukasborl.noblogs.org/possabilities-of-pressure-on-the-dictatorial-regime-in-belarus/

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

Abro a janela…
nos galhos finos só flores —
Ipê-amarelo

Rosa Elias




[França] Adeus ao camarada Skirda, o anarquista que lutou contra as mentiras dos historiadores

Recebemos a triste notícia da morte, em 23 de dezembro passado, do ativista e historiador libertário Alexandre Skirda, autor de um bom número de textos essenciais sobre a influência anarquista na Revolução Russa.

Recebemos a triste notícia da morte em 23 de dezembro do ativista e historiador libertário Alexandre Skirda, autor de uma série de textos essenciais sobre a influência anarquista na Revolução Russa. Ele era filho de um ucraniano que viveu a guerra civil e de uma russa, e nasceu na França em 1942. Seu trabalho, originalmente escrito em francês, foi traduzido para vários idiomas.

Seu primeiro livro, de 1971, é dedicado à revolta de Kronstadt e foi reimpresso em 2012 e 2017, incorporando novos dados após o acesso aos arquivos da ex-URSS. A copiosa coleção de fontes neste trabalho faz dele um documento de leitura obrigatória para compreender o confronto entre as concepções libertárias e autoritárias durante a Revolução Russa.

Com raízes ucranianas e um bom conhecimento de todas as línguas das fontes primárias da Revolução Majnovista, Alexandre Skirda estudou-a extensivamente e em 1982 publicou: Nestor Makhno, le cosaque de l’Anarchie, la lutte pour les soviets libres en Ukraine 1917-1921. Este livro logo se tornou uma referência indispensável, e suas sucessivas reedições, enriquecidas com nova documentação, têm servido para aquilatar aquele episódio memorável da luta por uma sociedade sem exploração.

Autor de outros livros sobre a história do anarquismo e traduções de Néstor Majnó e Jan Wacław Majaiski, Alexandre Skirda sempre trabalhou para desvendar eventos de enorme transcendência, cuja realidade fresca e esclarecedora se esconde por trás da falsidade e da manipulação que dominam a historiografia do século XX. Graças a ele, vemos além dos relatos tendenciosos “vermelhos” e “brancos” de eventos que são essenciais para conhecer.

Que a terra seja leve para aquele que dedicou sua vida a combater mentiras, desfazer injustiças e vindicar, com esforço e rigor, a memória daqueles que deram tudo de si na luta pela liberdade e emancipação humana.

Fonte: https://kaosenlared.net/adios-al-companero-skirda-el-anarquista-que-combatio-las-mentiras-de-los-historiadores/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Assim como a vela,
Mergulhada no silêncio,
A peônia

Kyoroku




Líder do partido de extrema direita italiano é julgado por caso de imigrantes presos no mar

Matteo Salvini, líder do partido italiano de extrema direita Liga, compareceu neste sábado (09/01) diante de um juiz em Palermo por um novo caso de imigrantes presos no mar em 2019, quando era ministro do Interior.

 O ex-ministro é suspeito de sequestro de pessoas e abuso de poder por ter proibido o desembarque de uma centena de imigrantes resgatados no mar pelo navio da “Open Arms”, em agosto de 2019, e ao se negar durante dias a conceder um porto seguro para a embarcação da ONG espanhola, que estava ancorada na costa da pequena ilha de Lampedusa, enquanto as condições a bordo pioravam.

 Depois da primeira audiência preliminar a portas fechadas, o juiz adiou a continuação do procedimento até 20 de março, que deve determinar se Salvini será levado à Justiça ou se arquivará o caso.

 “Estou absolutamente sereno e orgulhoso do que tenho feito”, disse Salvini à imprensa ao final da audiência.

 “Minha única lamentação é o custo que este julgamento tem para os contribuintes italianos e o tempo que estou perdendo com os magistrados”.

 “Open Arms” ressaltou que “o acusado hoje não é apenas Salvini, mas os governos italiano e europeus que continuam a violar a Convenção de Hamburgo sobre a obrigação de socorro no mar e a Convenção de Genebra sobre a proibição de rejeitar refugiados”.

 Matteo Salvini tem sido acusado de ter “prendido” centenas de imigrantes resgatados pelo navio da guarda costeira italiana “Gregoretti” no mar, também durante o verão boreal de 2019.

 Porém, a promotoria siciliana da Catania pediu que as acusações desse caso fossem rejeitadas.

 Fonte: agências de notícias

 agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime




Serendipidade: o que é e como usar?

“O acaso só favorece a mente preparada”
– Louis Pasteur

Em 1754, um cientista de nome Horace Walpole, ao descrever algumas das suas invenções para um colega, Horace Mann, criou o vocábulo serendipidade”, para designá-las, por serem por ele consideradas como “acidentais”.

O que são Serendipidade?

Serendipidades são descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. Quando se descobre “acidentalmente” a solução para algo de forma inesperada.

Há quem acredite na crença do “acaso” para a explicação de acontecimentos em que há uma certa “coincidência”, como que uma causalidade “incausada”. Este, pelo menos, é o pensamento dos que somente conseguem perceber o sensorial, isto é, o que toca e se mostra nos limites dos sentidos físicos.

Exemplos de Serendipidade:

Tesla contava que enquanto declamara um poema de Goethe num parque teve a visão do esquema primordial de funcionamento da Corrente Alternada, qual inventou, ou descobriu, como preferia dizer.

Arquimedes (287-212 a.C.), tomava seu banho imerso em uma banheira, quando teve o que hoje chamamos de insight e, repentinamente, encontrou a solução para um problema que o atormentava havia tempos. Seria a coroa do rei de Siracusa realmente de ouro? Dizem que Arquimedes teria saído à rua nu gritando Eureka! Eureka! (Encontrei!). Ele havia descoberto um dos princípios fundamentais da hidrostática, que seria conhecido futuramente como o “Princípio de Arquimedes”.
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“O acaso só favorece a mente preparada” (Louis Pasteur)

Quando você busca, de alguma forma você atrairá isso para a sua vida. Às vezes da forma que você menos espera. É preciso estar aberto e ter olhos para reconhecer o que passaria despercebido para as outras pessoas.

Você já teve uma serendipidade?

Segundo consta no livro do Prof. Royston M. Roberts da Universidade do Texas, o termo é formado a partir da palavra Serendip (ou Serendib), antigo nome do Ceilão (Atual Sri Lanka) e o citado pesquisador o utilizou, após haver lido um conto de fadas intitulado “Os Três Príncipes de Serendip”, onde seus protagonistas realizam repetidas descobertas “por acidentes e sagacidade”². “Serendipty” é portanto, um neologismo inglês, criado pelo Dr. Walpole para designar aquelas descobertas casuais, acidentais, como que predeterminadas pela sorte ou destino. É uma palavra ainda não dicionarizada na Língua Portuguesa. A verdade é que são inumeráveis os casos de serendipidade, os tipos de serendipidades ao ponto de Sir Derek H. R. Barton, da Universidade do Texas, afirmar que “a maior parte das descobertas importantes na química orgânica foram feitas por acidente”. Também, são muitos os cientistas que afirma e comprovam abertamente fatos dessa natureza. Alguns destes são muitíssimos conhecidos da população em geral, como o caso da descoberta da penicilina por Sir Alexander Flemming, em 1928. O que a maioria desconhece, porém, é que, no caso da descoberta do referido antibiótico, houve uma sucessão de serendipidades. Aliás, na vida desse laureado cientista podemos perceber indiscutíveis “coincidências do destino”. De fato, além dos acontecimentos que o levaram a estudar Medicina, bem como a escolha da Escola onde se realizariam seus estudos e onde, no futuro, viria a desenvolver suas pesquisas – elementos que de per se já são o bastante para suscitar questionamentos sobre as razões excepcionais das coisas -, mais se pode analisar no que concerne à forma como se deram suas descobertas.

Em 1922, seis anos antes de descobrir a penicilina, Fleming trabalhava com uma cultura bacteriana em uma placa apropriada (placa de Petri) e, naquele dia, encontrava-se resfriado. Inadvertidamente, caiu-lhe uma lágrima sobre a placa de estudo. No dia seguinte, percebeu que se formava um halo, apresentando uma destruição das colônias bacterianas existentes, na região onde lhe caíra a secreção orgânica, levando-o, ao tentar identificar as causas do fenômeno, à descoberta de uma substância contida na lágrima, de nome lisozima, que age sobre bactérias não patogênicas, destruindo-as e, desse modo, participante das defesas orgânicas. Em 1928, fato semelhante ocorreu. Só que agora a região onde acontecera a lise (destruição) das bactérias estava relacionada com a presença de um pouco de bolor que acidentalmente havia contaminado a placa de cultura bacteriana.Confrontado os dois acontecimentos, Fleming voltou-se para o isolamento daquele mofo e descobriu que ele era constituído por fungos do gênero Penicillium e, por isso, ele nominou a substância antibiótica ali produzida de “penicilina”. Observe-se, portanto, que a lágrima e o bolor contaminaram “casualmente” o meio de cultura e a atenção do cientista foi mais despertada, ainda, pela repetição do fenômeno, embora com substâncias diferentes. O mais interessante é atentar para dois pontos inusitados: o primeiro é que, no comum, o pesquisador teria se livrado do material contaminado e até mesmo se entristecido pela contaminação em seu estudo; depois, existem inúmeros gêneros de fungos nos bolores, mas foi cair na placa exatamente o bolor contendo o gênero produtor do antibiótico. Vejamos os comentários do próprio Flemming, citado por Roberts 4:“Não fosse a experiência anterior (com a lisozima), eu teria jogado fora o material, como muitos bacteriologistas devem ter feito antes… É provável também que alguns bacteriologistas tenham percebido mudanças semelhantes àquelas notadas (por mim) … mas na ausência de qualquer interesse por substâncias bactericidas naturais, as culturas foram simplesmente descartadas… Em vez de jogar fora as culturas contaminadas com um discurso apropriado, eu iniciei as investigações”. E ainda:“(…) há milhares de fungos diferentes e há milhares de bactérias diferentes, e a chance de colocar o bolor certo no lugar certo e na hora certa, foi como vencer, acertar na loteria.”É costume afirmar-se na seara espírita que o acaso não existe .

E isso porque, sem bem pesquisarmos, haverá sempre uma causa lógica para qualquer evento. Além do que, a dificuldade para encontrar certos motivos provêm de se procurarem as explicações no estreito conjunto das causas físicas.Com o Espiritismo, ampliamos os nossos horizontes para muito além do sensório e descobrimos que as causas se devem invariavelmente às respostas naturais às nossas ações ou aos dispositivos racionais das leis divinas que nos impulsionam de maneira compulsória para a felicidade. De outra forma, vamos compreender que, a despeito de haver completa independência do Espírito em relação ao corpo e vice-versa (como defendido por René Descartes), no sentido existencial de cada um, há uma inter-relação, enquanto o Espírito experiência as injunções materiais e que, mesmo desencarnado, o Espírito relaciona-se com outros momentaneamente adstritos ao plano material. Também compreendemos as razões ascensionais da vida somática para o Espírito e que Individualidades já emancipadas da matéria, por amor à humanidade e a Deus(da forma e não forma de crença), contribuem de forma anônima para o progresso individual de cada criatura retardatária, assim como de toda a coletividade dos Espíritos encarnados.

Aos homens cabe, porém, o trabalho decisivo nas realizações materiais, a ação direta para a evolução planetária e os esforços no sentido de dominar as dificuldades naturais e promover paz e o bem-estar para todos. Isso, no entanto, não impede aquela ação anônima dos Espíritos, em auxílio aos seus irmãos da esfera mais densa, em todas as áreas e atividades humanas. Assim, pois, também, nas ciências.

Se bem que os insights e clicks não venham poir acaso para entregar aos homens as revelações científicas que a eles cabem desvelar, participam incentivando-os, despertando-lhes a atenção, favorecendo as condições para a sua descoberta. Isso explica, de maneira lógica, as frequentes descobertas “acidentais”, os “acasos” facilitadores, inexplicáveis sob uma visão puramente mecanicista. Há, portanto, Espíritos encarregados de fomentar o progresso científico, incentivando e facilitando certas descobertas, quando sentem ser chegado o momento para a sua consecução, como podemos depreender dessa afirmativa do Espírito Arago

“Quando um Espírito alcançou um grau bem avançado, Deus lhe confia uma missão e o encarrega de ocupar-se de tal ou qual ciência útil aos homens. (…) E quando estudou bastante, dirige-se a um homem capaz de aprender aquilo que, por sua vez, pode ensinar. De repente esse homem é obsidiado por um pensamento; só pensa nisso; disso fala a todo instante; sonha dia e noite com a coisa; ouve vozes celestes que lhe falam. Depois, quanto tudo está bem desenvolvido em sua cabeça, esse homem anuncia ao mundo uma descoberta ou um aperfeiçoamento. É assim que são inspirados os homens, em sua maioria”.

Observe-se que o cientista encarnado trabalhou, pensou, conjecturou, pesquisou. Foi secundado pelo Espírito que lhe “soprou” sugestões, proporcionou oportunidades. Assim é que, no comum, não se fazem descobertas sem labor. Mesmo os “acasos” requerem transpiração e envolvimento, como no caso de Flemming, que mantinha o espírito sintonizado e à procura das “substâncias bactericidas naturais”.Não se deve imaginar que sem esforço se logre descobrir essa ou aquela lei científica, viabilizar essa ou aquela descoberta. Nem que os Espíritos e prestem ao papel de dispensar a participação do homem no conhecimento. Aliás, desde os princípios das comunicações mediúnicas ostensivas que os Amigos do Além já nos alertam para o papel da mediunidade no mundo. Vejamos as suas respostas a duas questões formuladas por Allan Kardec sobre o assunto:“Os Espíritos podem dar orientação em pesquisas científicas e descobertas?- A ciência é obra do gênio, só deve ser adquirida pelo trabalho, porque é somente pelo trabalho que o homem avança no seu caminho”. “O sábio e o inventor, então, nunca são assistidos pelos Espíritos em suas pesquisas?- Oh, isso é diferente! Quando chega o tempo de uma descoberta, os Espíritos incumbidos de lhe dirigir a marcha procuram o homem capaz de a levar a bom termo. Inspiram-lhe as ideias necessárias, com o cuidado de lhe deixar todo o mérito, porque essas ideias ele terá de elaborar e pôr em execução.”

Destarte, podemos afirmar que o Dr. Horace Walpole tem razão em associar ao “acaso” a sagacidade, assim como também fazia Louis Pasteur, ao afirmar: “No campo da observação, o acaso favorece apenas a mente preparada”. A intervenção dos Espíritos, bem como a ação do próprio encarnado, como Espírito, em desdobramento ou estados de abstração, nos chamados momentos de emancipação da alma, têm seu peso no progresso científico, favorecendo aos que trabalham e buscam insistentemente. Mas aquilo que parece obra do acaso é, via de regra, a suave, mas decisiva, ação do mundo espiritual sobre o homem de gênio, pois assim como somos passíveis de ser influenciados – e decididamente o somos – por Espíritos imperfeitos, também nos influenciam os Espíritos mais evoluídos e compromissados com o Bem e a Verdade.Serendipidade é, portanto, no geral, termo usado para designar, nos meios científicos ortodoxos, a ação do mundo espiritual sobre nós encarnados e sobre o progresso da ciência, em função da ignorância e dos preconceitos ainda vigentes nos meios acadêmicos e intelectuais em nossos dias, vindo a comprovar a resposta à questão 459, de O Livro dos Espíritos:“Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?- Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”.

Referências:¹ ROBERTS, Royston M. Descobertas acidentais em ciências. Papirus. Campinas. 1993;²___________________   idem, ibidem;³___________________   idem, Prefácio.4_____________________________   idem, pág. 201.5 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. EME. São Paulo;6______________ Revista espírita. EDICEL. Brasília. DF;7______________ O livro dos médiuns, perg. 294, item 28;8______________ idem, perg. 294, item 29;9 ROBERTS, Royston M. ob. Cit.fonte: Bioética, Uma contribuição Espírita, Francisco Cajazeiras. Canteiroideias

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Frei Betto – um efêmero florescer que resiste

Por Cinthia Martins (R.A: 820266521) e Gabriella Bernardino (R.A: 818111264).

Aos 76 anos o dominicano mais combativo da nossa história permanece ativo na luta contra a fome e as desigualdades.
Discípulo de São Tomás de Aquino, filósofo e teólogo medieval e um dos principais Mestres da Igreja Católica, Frei Betto é desses homens que vislumbram e perseguem um ideal no horizonte utópico.
O escritor e assessor da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) é referência em toda a América Latina quando o assunto é a erradicação da fome através de um projeto pedagógico e emancipatório que possibilita que os indivíduos se tornem protagonistas de suas histórias.

“Quando estamos comprometidos com os mais pobres a gente é ousado, é revolucionário e
combativo, porque só temos a ganhar que é conquistar direitos.”
Carlos Alberto Libânio Christo, nascido em Belo Horizonte em 25 de agosto de 1944, é um dos mais conhecidos propagadores das comunidades eclesiais de base (CEBS) movimento cujo o centro é a leitura bíblica articulada com a vida, a realidade política e social em que se encontram os despossuídos, miseráveis e explorados que permeiam as classes mais populares, através do método ver-julgar-agir as CEBS auxiliam seus educandos a perceber
a realidade em que vivem confrontando a realidade observada junto aos valores do evangelho e direitos humanos.
Aos 76 anos o Frei se mantém ativo auxiliando nos trabalhos de base junto a movimentos populares.
“Uma pessoa comum tem uma percepção da vida como fenômeno meramente biológico, o militante tem a percepção da vida como fenômeno biográfico, ele sabe que tem um desafio histórico pela frente.”
Autor de 68 livros, o intelectual foi premiado duas vezes com o Prêmio Jabuti em 1982 com Batismo de Sangue e em 2005 com Típicos Tipos- Perfis literários .
Frei Betto carrega consigo a essência dos revolucionários que não se curvam aos dissabores de regimes ditatoriais. “Pra quem ficou quatro anos preso, essa quarentena não é nada.”
O Frade Dominicano se refere à sua segunda prisão que perdurou de 1969 à 1973. A época o Frei figurou entre os ativistas mais procurados pela ditadura tendo o seu nome e rosto divulgados pela mídia sob a alcunha de “padre terrorista”.
Nas últimas décadas a difusão das igrejas neopentecostais no Brasil vem desempenhando papel fundamental num programa de controle social no qual a teologia se aplica como meio de doutrinação para manter seus fiéis sob domínio. Ele explica que a religião neste caso é utilizada como um grande negócio.
” Eles exploram o povo para enriquecer, é um processo violento dentro das igrejas neopentecostais conservadoras de extorsão do pouco dinheiro que o povo tem e com isso exercem grande poder de controle sobre uma grande quantidade de pessoas muito pobres que não tem recursos e que vão a igreja a espera de curar as enfermidades que sofrem desse modo conseguem ter influência no poder na medida em que se elegem, vereadores, deputados, senadores e etc.”
Frei Betto publicou este ano o livro, Diabo na Corte: leitura crítica do Brasil pela editora Cortez. A obra pretende desvendar a campanha de desinformação do presidente, Jair Messias Bolsonaro.
Crítico ferrenho do atual governo, o Frade que tem como traço forte de sua personalidade a franqueza entrelaçada a uma serenidade inabalável dispara “No Brasil há um genocídio em curso, não há como conviver com este governo genocida que desmonta todas as políticas de proteção a vida o genocídio dos mais pobres no Brasil é intencional.” De acordo com o Frei o momento conturbado poderia ter sido evitado a medida em que os
poderes reconhecessem o risco a democracia personificado na figura do atual presidente.
“ O antipetismo criou uma força tão vigorosa que os poderes fizeram vistas grossas engoliram a seco os 30 mil que ele queria matar na ditadura e deixou o barco correr, a elite política, a elite financeira e a elite dos meios de comunicação no Brasil queriam descartar as forças progressistas então passaram a naturalizar os horrores do Bolsonaro e deu no que
deu.”
E não poupa críticas à ala progressista ” Nós progressistas também temos culpa no cartório porque abandonamos o trabalho de base.”
Frei Betto mantém a fé na superação do momento caótico que perpassa o país. No entanto, alerta que ainda há um longo caminho a percorrer. Para o Frei, a utopia é um horizonte no qual “o indivíduo se percebe no mundo como parte integrante de um povo, de uma nação, de um continente e sobretudo de um momento histórico”.
Atualmente o Frei divide seu tempo entre escrita, palestras e conferências. Em todas as atividades, o intuito é semear no povo consciência crítica e histórica. “É preciso formar uma consciência crítica porque é a única maneira da gente ter primeiro uma desconfiança e depois investigar pra saber qual é a versão real.”, explica.
“Fechar o horizonte utópico é um processo que o capitalismo nos impõe fazendo com que as novas gerações ao invés de buscar um novo projeto histórico civilizatório o troquem por ambições de uma vida boa, fama, poder, riqueza e beleza tudo centrado no individualismo
que foi a forma que o sistema encontrou de impedir que a juventude assuma seu protagonismo na história.”
O escritor acredita no potencial transformador da juventude. Segundo ele, nada pode apagar da juventude seu traço mais marcante: a rebeldia. “A juventude é potencialmente revolucionária.”, ele diz.
Ao ser perguntado se é possível educar o povo em tempos de pós verdade, Frei Betto nos inunda com sua fé: “a história não para não podemos perder a esperança.”
Muito mais que um utopista Frei Betto é um semeador de possibilidades num vasto horizonte e a efêmera condição humana não é capaz de dissipar o florescer de uma espiritualidade baseada na solidariedade e no combate às desigualdades.

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A prisão de Mikhail Bakunin, 1877

Mikhail Aleksandrovich Bakunin foi um dos fundadores intelectuais do anarquismo, muitas vezes considerado o maior rival histórico de Marx. Bakunin nasceu em 30 de maio [18 de maio, estilo antigo] de 1814 (a data é, no entanto, contestada), em Premukhino, perto da cidade de Torzhok na Tver Gubernia (província).

Ilustração de Alexander Nikranovich Novoskoltsev (Russo, 1853-1919).

Ele era o filho mais velho da família de um diplomata aposentado e proprietário de terras. Os pais de Mikhail eram nobres hereditários com inclinações políticas liberais. Seu pai estava em Paris durante a Revolução Francesa, recebeu seu doutorado em filosofia em Pádua e se considerava discípulo de Jean-Jacques Rousseau. A mãe de Bakunin era membro da família Muravyov e três de seus primos estiveram envolvidos no levante de constitucionalistas de dezembro em 1825. Bakunin cresceu em um ambiente idílico, romanticamente dedicado a quatro irmãs que eram mais próximas a ele em idade do que seus irmãos mais novos e foi educado sob a supervisão estrita de seu pai antes de ser enviado para a Escola de Artilharia em São Petersburgo. Depois de terminar seus estudos na Escola de Artilharia, ele recebeu uma comissão como oficial da Guarda. Diz-se que seu pai estava zangado com ele e pediu que Mikhail fosse transferido para o exército regular. O despertar do gosto pela literatura fez com que ele se sentisse insatisfeito com a vida militar e, preso em uma aldeia deserta na Bielorússia com sua bateria, Bakunin tornou-se deprimido e insociável. Ele negligenciou seus deveres e passava dias enrolado em uma pele de carneiro. O comandante da bateria sentiu pena dele; ele não tinha alternativa, no entanto, mas para lembrar a Bakunin que ele deve cumprir seus deveres ou ser dispensado. Bakunin optou pelo último curso e em 1835 pediu para ser dispensado de sua comissão. Bakunin foi para Moscou em 1836 para estudar filosofia e, a partir dessa época, a vida começou para ele de verdade. Ele se juntou a um círculo de discussão centrado em Nicolay Stankevich, que se concentrou na filosofia alemã contemporânea. Mikhail nunca havia estudado seriamente antes e seu conhecimento de alemão era muito pobre. No entanto, ele foi abençoado com o dom da dialética e do pensamento constante e persistente. Ele dominou o alemão para estudar as filosofias de Kant, Fichte e Hegel. Bakunin foi influenciado pela primeira vez por Johann Gottlieb Fichte; sua primeira tarefa literária foi a tradução de seus escritos para o periódico de Vissarion Belinsky, o Telescópio.

Mais tarde, ele transferiu sua lealdade a GWF Hegel e traduziu as “Palestras de Ginásio” deste último, marcando a primeira vez que Hegel foi publicado em russo.Em 1840, Bakunin deixou a Rússia para estudar filosofia alemã em Berlim, com suas opiniões em um estado fluido e turbulento. Ele ainda esperava se tornar um professor de filosofia na Universidade de Moscou e assistiu assiduamente a palestras por algum tempo; nas horas de lazer frequentava os salões literários na companhia de Ivan Turgenev, que o serviu de modelo para o herói de seu primeiro romance, Rudin.Dominando a filosofia hegeliana, que posteriormente caracterizou como a “Álgebra da Revolução”, Bakunin se inclinou para a escola heterodoxa, que produziu homens como Ludwig Feuerbach e David Friedrich Strauss. Em 1842, Bakunin mudou-se para Dresden, conhecendo Arnold Ruge, líder dos Jovens Hegelianos, os seguidores radicais de Hegel, cuja afirmação de que o método dialético de Hegel poderia ser usado de forma mais convincente para apoiar a revolução do que a reação para influenciar quase todas as escolas de filosofia socialista na Europa de meados do século XIX. O encontro de Bakunin com Ruge, combinado com sua leitura dos escritos de Lorenz von Stein sobre Fourier e Proudhon, efetuou uma mudança em seu ponto de vista que teve toda a força de uma conversão religiosa.A primeira manifestação dessa mudança foi o ensaio apaixonado “Reação na Alemanha – Um Fragmento de um Francês”, que Bakunin publicou sob o nome de pluma de Jules Elysard no Deutsche Jahrbücher für Wissenschaft und Kunst de Ruge (outubro de 1842). Apresentou uma visão jovem hegeliana da revolução: antes de ter sucesso, a revolução é uma força negativa, mas quando triunfar, ela, por um milagre dialético, se tornará imediatamente positiva. No entanto, a característica mais marcante do ensaio é o tom apocalíptico com que Bakunin introduziu o tema – recorrente em seus escritos – da destruição como elemento necessário no processo de transformação social. Assim, ele debateu a ênfase de Hegel no positivo no processo dialético, afirmando, em vez disso, que o negativo é a força motriz criativa da dialética. ” Coloquemos nossa confiança no espírito eterno que destrói e aniquila apenas porque é a fonte insondável e eternamente criativa de toda a vida. O desejo de destruir também é um desejo criativo “, escreveu ele. Essa frase final se tornaria o lema do anarquismo internacional e uma das frases mais citadas de Bakunin.”Reação na Alemanha”, com sua glorificação da ideia de revolta perpétua, foi o primeiro passo em direção ao anarquismo posterior de Bakunin, mas ele passou por muitos estágios antes de chegar a esse destino. Em 1843, viajou de Paris para a Suíça, onde residiu por algum tempo, participando ativamente de todos os movimentos socialistas e associado ao revolucionário alemão Wilhelm Weitling. Em 1844, ele visitou Paris, onde se estabeleceu e conviveu com socialistas franceses e alemães, incluindo Pierre-Joseph Proudhon e Karl Marx (embora sua antipatia por Marx impedisse qualquer proximidade pessoal entre eles) e com numerosos emigrados poloneses que o inspiraram a combinar a causa de a libertação nacional dos povos eslavos com a revolução social. Bakunin tornou-se discípulo de Proudhon e os próximos anos de sua vida foram dedicados a transformar o movimento social-democrata em uma direção anarquista e internacional. Ele também mantinha relações amistosas com George Sand. Pouco depois, Marx, Feuerbach, Ruge e Bakunin fundaram o anuário político Deutsch-Französische Jahrbücher, do qual apenas um único número foi publicado.As autoridades russas logo tomaram conhecimento do surgimento do radicalismo de Bakunin e sua permissão para residir no exterior foi rescindida pelo governo russo. Ao se recusar a retornar à Rússia em dezembro de 1844, sua propriedade na Rússia foi confiscada, ele foi destituído de seu status de nobreza e sentenciado à revelia a trabalhos forçados na Sibéria. O embaixador russo, em uma tentativa de desacreditar Bakunin, espalhou o boato falso de que Bakunin fora contratado pelo governo russo para se passar por revolucionário. Dez mil rublos foram oferecidos para sua prisão. Em vez de obedecer à ordem peremptória de retornar à Rússia, Bakunin fez um discurso aos poloneses e russos para se unirem em uma confederação revolucionária pan-eslava em 29 de novembro de 1847 no banquete em Paris que comemorava a insurreição polonesa de 1830, denunciando o governo russo.Os anos de 1848 a 1849 foram provavelmente o período mais dramático da vida de Bakunin. A Revolução de fevereiro de 1848 em Paris deu-lhe o primeiro gostinho da luta de rua e da guerra de classes; e depois de alguns dias de participação ansiosa, ele viajou para o leste na esperança de atiçar as chamas na Alemanha e na Polônia. Em Praga, em junho de 1848, ele participou do Congresso Eslavo, fazendo uma tentativa infrutífera de organizar uma campanha revolucionária internacional secreta para uma revolta tcheca, que terminou quando as tropas austríacas bombardearam a cidade; e mais tarde, no retiro seguro de Anhalt-Köthen, na Alemanha, ele escreveu seu primeiro grande manifesto, “Um apelo aos eslavos”. Ele denunciou a burguesia como uma força contra-revolucionária exaurida; ele apelou à derrubada do Império Habsburgo e à criação na Europa Central de uma federação livre de povos eslavos; e ele contou com o campesinato – especialmente o campesinato russo com sua tradição de revolta violenta – como os agentes da revolução vindoura. Sua paixão pela liberdade e igualdade e suas condenações de privilégios e injustiças deram-lhe um enorme apelo no movimento radical da época. O “Apelo aos Eslavos” de muitas maneiras também antecipou suas atitudes anarquistas posteriores. A revolução social, declarou ele, deve ter precedência sobre a política e afirmou que a revolução social deve ser total. “Devemos antes de tudo purificar nossa atmosfera e transformar completamente o ambiente em que vivemos, pois eles corrompem nossos instintos e nossas vontades”. Sua paixão pela liberdade e igualdade e suas condenações de privilégios e injustiças deram-lhe um enorme apelo no movimento radical da época. O “Apelo aos Eslavos” de muitas maneiras também antecipou suas atitudes anarquistas posteriores. A revolução social, declarou ele, deve ter precedência sobre a política e afirmou que a revolução social deve ser total. “Devemos antes de tudo purificar nossa atmosfera e transformar completamente o ambiente em que vivemos, pois eles corrompem nossos instintos e nossas vontades”. Sua paixão pela liberdade e igualdade e suas condenações de privilégios e injustiças deram-lhe um enorme apelo no movimento radical da época. O “Apelo aos Eslavos” de muitas maneiras também antecipou suas atitudes anarquistas posteriores. A revolução social, declarou ele, deve ter precedência sobre a política e afirmou que a revolução social deve ser total. “Devemos antes de tudo purificar nossa atmosfera e transformar completamente o ambiente em que vivemos, pois eles corrompem nossos instintos e nossas vontades”.Um pouco mais tarde, ele teve um papel importante, com o grande futuro compositor Richard Wagner ao seu lado, na rebelião de Dresden de maio de 1849, onde se tornou membro do governo insurrecional. Em 9 de maio de 1849, a rebelião foi derrotada e Bakunin, Wagner e Heuber escaparam para Chemnitz, onde Bakunin foi preso enquanto Wagner se escondia na casa de sua irmã e fugia. Bakunin foi encarcerado em Chemnitz e sentenciado à morte em maio de 1850, mas teve sua sentença comutada para prisão perpétua. A pedido do governo austríaco, Bakunin foi extraditado para a Áustria, onde depois de ser primeiro preso em Praga, depois em Olmütz, foi novamente condenado à morte e novamente a sentença foi alterada para prisão perpétua; no entanto, sua estada na Áustria foi acompanhada de severas espancamentos e torturas enquanto ele era acorrentado de pés e mãos à parede da prisão. Em 1850,Em maio de 1851, ele se viu em confinamento solitário nas masmorras da Fortaleza de Pedro e Paulo em São Petersburgo. A convite do chefe de polícia, ele escreveu um enigmático manuscrito da Confissão, que foi descoberto nos arquivos desclassificados após a revolução de fevereiro de 1917 e publicado em 1921. Os motivos ocultos que levaram a sua confissão ainda estão em disputa. Consistia em expressões de arrependimento por crimes e apelos abjetos de misericórdia, mas também incluía alguns gestos de desafio, jogando fortemente na devoção de Bakunin aos eslavos e ódio aos alemães – sentimentos que foram notados com interesse e aprovação pelo czar. A Confissão é importante principalmente por seu relato do desenvolvimento inicial da filosofia revolucionária de Bakunin. Cobre o prisioneiro ‘No entanto, a Confissão não obteve a libertação de Bakunin, e ele permaneceu na Fortaleza de Pedro e Paulo por mais três anos, depois na Fortaleza de Schlisselburg por mais três anos, durante os quais sua saúde se deteriorou rapidamente quando ele sucumbiu ao escorbuto, causando a queda de seus dentes Fora. Em 1857 foi libertado e exilado na Sibéria, onde em 5 de outubro de 1858 casou-se com Antonia Kwiatkowski, a jovem filha de um comerciante polonês, e mudou-se para Irkutsk. O governador da Sibéria Oriental era primo da mãe de Bakunin e foi provavelmente por meio dessa conexão que ele obteve permissão em 1861 para descer o rio Amur, aparentemente a negócios comerciais. Tendo chegado à costa em um navio russo, o Strelok, em julho, ele foi transferido para um navio mercante americano Vickery com destino a Hakodate, no Japão, e então viajou para São Francisco. Em novembro ele foi para Nova York e em 27 de dezembro de 1861 chegou a Londres. Enquanto nos Estados Unidos, ele declarou sua intenção de se tornar um cidadão americano. O poeta Henry W. Longfellow retratou Bakunin em seu diário como “um homem gigante com o temperamento mais ardente e fervente”.Em 1862, Bakunin juntou-se a Alexander Hertzen, a quem vira pela última vez em Paris em 1847 e que agora ocupava uma posição de destaque entre os emigrados russos como editor do jornal revolucionário Kolokol (“O Sino”) e Nicholas Ogarev. A intenção de Bakunin era dedicar todas as suas energias à luta pela liberdade dos russos e eslavos. Seus instintos eram contra a moderação e intriga conspiratória era seu objetivo enquanto ele se envolvia em conspirar com imenso entusiasmo. Ele tinha planos para agitar o exército e o campesinato e brincou com a ideia de uma vasta organização revolucionária cercando a Rússia com uma rede de agentes em pontos estratégicos da fronteira. A Sibéria seria servida por uma filial localizada na costa oeste dos Estados Unidos.A estada de 14 meses de Bakunin em Londres levou a um rompimento irrecuperável com Hertzen, que havia derramado parte do ardor revolucionário de sua juventude e já cruzara espadas com o crítico e romancista Nicholas Chernyshevsky e outros radicais russos da geração seguinte. Ele achou a irresponsabilidade financeira e política de Bakunin difícil de suportar. Em termos de temperamento, os dois homens eram tão incompatíveis que não podiam ser camaradas de armas, embora continuassem bons amigos.Quando a insurreição polonesa estourou no início de 1863, Bakunin embarcou ansiosamente com um carregamento de voluntários poloneses para o Báltico. Ele só foi até a Suécia, onde passou um verão infrutífero. O fracasso da insurreição polonesa em 1863 foi uma grande decepção para Bakunin, que daí em diante foi absorvido por uma campanha de anarquia universal. No início de 1864 estabeleceu-se na Itália, que se tornou sua residência por quatro anos. Foi lá que ele esboçou os principais contornos do credo anarquista que pregou com vigor assistemático, mas incessante, pelo resto de sua vida. Foi lá, também, que ele começou a tecer aquela rede complexa, parte real, parte fictícia, de sociedades revolucionárias secretas entrelaçadas que absorviam suas energias e confundiam os seguidores que ele alistava.Em 1866, Bakunin organizou em Nápoles uma irmandade internacional secreta conhecida mais tarde como Aliança Internacional da Social-democracia. Era uma organização conspiratória, pois Bakunin nunca sobreviveu a seu gosto pelo escuro e pelo segredo. Seu programa – incorporado no Catecismo Revolucionário de Bakunin – rejeitou o estado e a religião organizada, defendeu a autonomia comunal dentro de uma estrutura federal e sustentou que o trabalho “deve ser a única base dos direitos humanos e da organização econômica do estado.” Mantendo o culto à violência que fazia parte da tradição revolucionária romântica, Bakunin insistiu que a revolução social não poderia ser alcançada por meios pacíficos. No entanto, em 1867 ele emergiu na vida pública como uma figura de proa da curta Liga pela Paz e Liberdade, um corpo de liberais pacifistas,Enquanto isso, a Aliança Internacional da Social-democracia em 1869 foi dissolvida quando Bakunin e seus seguidores entraram na Associação Internacional dos Trabalhadores (também conhecida como Primeira Internacional), uma federação de organizações radicais e sindicais com seções na maioria dos países europeus, com o objetivo de transformar o capitalista sociedades em comunidades socialistas e sua eventual unificação em uma federação mundial. Embora concordando com grande parte da teoria econômica de Marx (no outono de 1869 ele até tentou traduzir o Volume I de Das Kapital para o russo, mas deixou o manuscrito, junto com muitos outros, inacabado), ele rejeitou sua política autoritária. Dentro da Internacional, Bakunin e as federações do sul da Europa desafiaram o poder de Marx, que se tornou o episódio mais famoso dos últimos anos de Bakunin. A disputa centrou-se no desacordo sobre métodos políticos. Enquanto Marx acreditava que o socialismo poderia ser construído assumindo o controle do estado, Bakunin esperava sua destruição total e a criação de uma nova sociedade baseada em federações livres de trabalhadores. Ele não tinha fé na política parlamentar e juntou-se a Proudhon ao dizer que o sufrágio universal significava contra-revolução. Ele acreditava na auto-organização em massa, no coletivismo, e sustentava que, no lugar do Estado, surgiria uma federação livre de associações autônomas que gozam do direito de secessão e garantem a liberdade pessoal completa. Bakunin achava que as estratégias de Marx apenas levariam a outro despotismo, o que de certa forma acabou sendo uma previsão sábia. Bakunin esperava sua destruição total e a criação de uma nova sociedade baseada em federações de trabalhadores livres. Ele não tinha fé na política parlamentar e juntou-se a Proudhon ao dizer que o sufrágio universal significava contra-revolução. Ele acreditava na auto-organização em massa, no coletivismo, e sustentava que, no lugar do Estado, surgiria uma federação livre de associações autônomas que gozam do direito de secessão e garantem a liberdade pessoal completa. Bakunin achava que as estratégias de Marx apenas levariam a outro despotismo, o que de certa forma acabou sendo uma previsão sábia. Bakunin esperava sua destruição total e a criação de uma nova sociedade baseada em federações de trabalhadores livres. Ele não tinha fé na política parlamentar e juntou-se a Proudhon ao dizer que o sufrágio universal significava contra-revolução. Ele acreditava na auto-organização em massa, no coletivismo, e sustentava que, no lugar do Estado, surgiria uma federação livre de associações autônomas que gozam do direito de secessão e garantem a liberdade pessoal completa. Bakunin achava que as estratégias de Marx apenas levariam a outro despotismo, o que de certa forma acabou sendo uma previsão sábia. Ele acreditava na auto-organização em massa, no coletivismo, e sustentava que, no lugar do Estado, surgiria uma federação livre de associações autônomas que gozam do direito de secessão e garantem a liberdade pessoal completa. Bakunin achava que as estratégias de Marx apenas levariam a outro despotismo, o que de certa forma acabou sendo uma previsão sábia. Ele acreditava na auto-organização em massa, no coletivismo, e sustentava que, no lugar do Estado, surgiria uma federação livre de associações autônomas que gozam do direito de secessão e garantem a liberdade pessoal completa. Bakunin achava que as estratégias de Marx apenas levariam a outro despotismo, o que de certa forma acabou sendo uma previsão sábia.A mesma organização não poderia ter duas personalidades tão poderosas e incompatíveis e no Congresso de Haia em 1872, Marx garantiu a expulsão de Bakunin e cerca de 30 de seus seguidores da Internacional. Dois dos principais escritos de Bakunin, “L’Empire Knouto-Germanique et la Révolution Sociale” (1871, incluindo as seções publicadas postumamente como “Deus e o Estado”, onde ele reverteu a citação de Voltaire de que “se Deus não existisse, ele seria necessário para inventar “para” se deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo “) e” Staat en Anarchie “(1873), o que refletia seu conflito com Marx. Bakunin foi um revolucionário tão intransigente quanto Marx, mas rejeitou o controle político, a centralização e a subordinação à autoridade (enquanto fazia uma exceção inconsciente de sua própria autoridade dentro do movimento). Ele denunciou o que considerava modos de pensamento e organização caracteristicamente germânicos e se opôs a eles com o espírito de revolta inculto que considerou corporificado no campesinato russo. De certa forma, o anarquismo de Bakunin tomou sua forma final como a antítese do comunismo de Marx.Em meio aos debates e disputas políticas, Bakunin novamente, em 1870, tentou um levante popular em Lyon sobre os princípios posteriormente exemplificados pela Comuna de Paris. O levante foi reprimido e Bakunin foi forçado a fugir devido a um mandado de prisão.Durante seus últimos anos, que passou na penúria na Suíça, Bakunin voltou a sua preocupação com a Europa central e oriental, associando-se a emigrados russos, poloneses, sérvios e romenos, entre os quais encontrou discípulos ávidos; ele redigiu proclamações e planejou organizações revolucionárias. Ele foi comprometido por um entusiasmo efêmero por Sergey Nechaev, um jovem niilista russo que exibia seu desprezo pela moralidade convencional, alcançou notoriedade ao assassinar um companheiro conspirador que ele suspeitava de ter a intenção de trair ou abandonar a causa e por esse crime acabou sendo extraditado para a Rússia pelas autoridades suíças (o caso Netcháiev inspirou o famoso romance de Feodor Dostoiévski, “Os Demônios”). Bakunin na verdade ajudou a construir o partido niilista na Rússia com base em desfazer a injustiça presente sem tentar impedir,Enquanto isso, a saúde de Bakunin piorou rapidamente, enquanto seus constrangimentos financeiros se tornaram cada vez mais agudos e ele dependia da generosidade de alguns amigos italianos e suíços. Mas ele nunca perdeu totalmente a resiliência de suas convicções revolucionárias. Em julho de 1874, Bakunin juntou-se por um tempo aos seus amigos em Bolonha, onde haviam planejado uma revolta, mas depois retornou à Suíça disfarçado, retirou-se do movimento e se estabeleceu em Lugano. Ele morreu, exausto, em Berna em 1º de julho [19 de junho] de 1876.O legado de Bakunin é enorme, embora ele não tenha sido um escritor sistemático. Escreveu manifestos, artigos, livros e cartas magníficas que despertavam os entorpecidos e irritavam os tímidos, mas nunca concluiu uma única obra de tamanho considerável. Principalmente um ativista, ele parava, às vezes literalmente, no meio da frase para cumprir sua parte nas lutas, greves e rebeliões. O que ele deixou para a posteridade é uma coleção de fragmentos. Férteis em sugestões, seus escritos eram da natureza de fragmentos lançados em brasa da fornalha ardente de sua mente. “Minha vida”, costumava dizer, “é apenas um fragmento.” Bakunin era mais um estimulador do que um organizador. Ele admitiu que não tinha nenhum senso de “arquitetura literária” e se via principalmente como um homem de ação, embora suas ações raramente fossem bem-sucedidas e sua vida fosse pontuada por revoltas abortadas. Seus escritos pretendiam provocar ação; foram tópicos em inspiração, senão sempre em conteúdo, e é em numerosos panfletos sobre eventos atuais e em relatórios escritos para congressos e organizações que suas opiniões estão dispersas.Bakunin não foi um grande criador teórico de idéias, pois foi influenciado por Hegel, Auguste Comte, Proudhon, Ruge, Charles Darwin e até mesmo Marx. Originais em Bakunin são sua visão aguda dos eventos contemporâneos e o poder mais vívido de criar uma síntese de idéias emprestadas em torno das quais o movimento anarquista teria se cristalizado. Seu amigo de longa data, Hertzen, certa vez comentou sobre Bakunin: “Este homem nasceu não sob uma estrela comum, mas sob um cometa.”

Texto traduzido automaticamente online. Original, em inglês, aqui: https://bit.ly/3dkdUIq

Em pdf: https://bit.ly/3doI8Kr

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Lista de Patentes de Nikola Tesla

Nikola Tesla acreditava que suas invenções eram para o beneficio da humanidade. Por isso não estava de acordo com a indústria daquela época, que via os seus trabalhos como um grande perigo para o controle das fontes de energia, e de todo o lucro dele derivado. A situação não mudou hoje em dia. As multinacionais não permitem que se conheça ou que se ponham em prática a obra e a tecnologia de Tesla. Nas escolas, muito raramente se faz mesmo a menor menção ao nome de Tesla.

Algumas citações de Telas:

“A maioria das pessoas está tão absorta na contemplação do mundo exterior que está totalmente alheia ao que está acontecendo em si”.

“É certamente preferível produzir vegetais, e penso, por isso, que o vegetarianismo é um louvável abandono de um habito bárbaro instituído.”

“O dom de poder mental vem de Deus, o Ser Divino e se concentrarmos nossas mentes na verdade, ficamos em sintonia com este grande poder.”

“O dinheiro não representa tal valor como os homens colocaram em cima dele. Todo o meu dinheiro foi investido nas experiências com as quais eu fiz descobertas novas permitindo a humanidade de ter uma vida um pouco mais fácil.”

Diversos aspectos de Tesla o diferenciam de outros gênios, se não da mesma estirpe, ao menos semelhantes, além da genialidade per si: caráter, moral, humanismo, altruísmo, ingenuidade, perseverança, e cientificamente importante, a proficuidade de seu trabalho, a fertilidade de sua mente, a tenacidade de seu interesse.

E é por isso que Tesla é tão superior, laboral e cientificamente falando, à grande maioria dos gênios, para mim praticamente equiparando-se a Da Vinci. Lembrando que os recursos físicos e intelectuais de Da Vinci acabavam por restringir sua densa obra.

Entre outras coisas, Tesla inventou ou descobriu:
* o rádio;
* o motor de corrente alternada;
* a lâmpada de pastilha de carbono (luz de alta frequência);
* o microscópio eletrônico;
* um avião com decolagem e aterrissagem verticais;
* a ressonância;
* o radar;
* o submarino elétrico;
* a bobina Tesla;
* o ‘Raio da Morte’;
* o controle remoto;
* métodos e ferramentas para o controle climático (HAARP);
* transmissão de vídeos por métodos inalâmbricos;
* transferência inalâmbrica de energia;
* sistemas de propulsão por meios eletromagnéticos;
* extração de energia em grandes quantidades a partir de qualquer ponto da Terra, etc.

E em razão da prodigalidade de Tesla, temos hoje acesso a um vasto material que foi registrado como as mais diversas patentes! Juntando tudo, dá um compêndio completo dos trabalhos registrados de Tesla.

No site do Tesla Universe, cada patente está em um link separado, basta clicar na imagem para ler online ou fazer o download:

http://www.teslauniverse.com/nikola-tesla-patents

Já no Slide Share, tem o link pra download do compêndio completo, com 499 páginas em PDF, com todos os dados técnicos e diagramas de cada patente registrada por Tesla:

https://pt.slideshare.net/search/slideshow?q=nikola-tesla-all-us-patents

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Na crise, os banqueiros tornam-se piores

BANCOS LUCRAM COM AS CRISES!

Favorecidos pelo BC com R$ 1,2 trilhão, bancos privados recusam-se a permitir que recursos cheguem a pequenas empresas e produtores rurais. Banco do Brasil é cúmplice. Estratégia visa submeter economia nacional à oligarquia financeira.

Um estudo da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia, em Carta Maior

Hoje o Brasil está internacionalmente classificado como epicentro da crise sanitária. A expansão da doença provocada pelo corona vírus não cessa. No dia 23 de junho foram registrados mais de um milhão, cento e cinquenta mil casos de infecção, e cinquenta e dois mil mortos. O desenrolar desta crise, e a ausência de políticas coordenadas pelo governo federal vai pondo a nu graves distorções entranhadas na sociedade brasileira. Distorções estas que passaram a se acirrar mediante as políticas econômicas restritivas que nos assolam desde 2015, e que o atual governo só faz multiplicar. Um exemplo gritante neste sentido nos é dado pelo sistema financeiro privado. A crise exibe como a preponderância deste segmento nas decisões governamentais atua na contramão das necessidades de acesso a recursos por parte de empresários e trabalhadores. O Governo disponibilizou R$ 1,2 trilhões aos bancos, a pretexto de estimular a concessão de crédito às empresas, mas o que ficou patente é que estes recursos não chegam aos agentes econômicos das áreas não financeiras. O que aparece em um primeiro momento como um fenômeno de empoçamento da liquidez, nada mais é do que um imenso montante de recursos sendo remunerado, absolutamente sem riscos, pela Selic, em proveito dos bancos. E, nos compulsórios referentes a depósitos à vista, sem custos financeiros para as instituições que deveriam promover as concessões de crédito.

Pesquisa do Sebrae havia constatado que 58% dos micro e pequenos empresários que recorreram a banca privada tiveram seu pedido de crédito negado; outros 28% estavam aguardando há mais de 18 dias alguma resposta, e somente 14% obtiveram êxito. E não existem sinais de que esta situação irá melhorar. De acordo com o noticiado pela Agencia Câmara e divulgado pelo site da Uol em 8 de junho, o Presidente do Banco do Brasil, em reunião com parlamentares da Comissão do Congresso que acompanha as ações relacionadas a pandemia, reconhece que existe uma “dificuldade” dos bancos em atender solicitações de crédito por parte das pequenas empresas. E justifica esta atitude, pois, segundo suas palavras, “Não é uma demanda saudável. É a demanda dos desesperados”. Ou seja, no quadro de desestruturação da atividade econômica, onde a paralisação causada pela pandemia vem se sobrepor a uma crise prévia imposta pelas políticas de desmonte das instituições públicas e total interrupção dos investimentos governamentais, a condição de angustia dos pequenos empresários é objeto de rejeição pelo presidente do Banco do Brasil.

Mesmo com o anunciado advento do PRONAMPE, destinado a oferecer garantias públicas de até 85% para casos de inadimplência nos empréstimos, nada indica que a movimentação bancária na direção do atendimento de pequenas empresas vá se modificar. Na didática exposição do presidente do Banco do Brasil: “É muito difícil atingir o pequenininho. O custo de servir, o custo de atingir o pequeno geralmente não compensa para o sistema bancário. O banco passa a ter outras atividades que o remuneram melhor. Se tem uma atividade com menor atratividade, o banco vai buscar aquilo que lhe interessa mais fazer, é natural”. Ao traduzir e compartilhar dos valores da banca privada, não é estranho que o atual presidente do Banco do Brasil tenha tido, como corolário de sua exposição, a defesa da privatização da instituição.

O desinteresse do sistema financeiro privado fica também exposto pela busca por parte do grande empresariado, de soluções heterodoxas para assegurar a sobrevivência de seus fornecedores de pequeno e médio porte. Por pressão de grandes empresários, o BNDES criou um mecanismo de financiamento que, obviamente, procura contornar a asfixia financeira causada pelos bancos privados sobre as micro, pequenas e médias empresas. Trata-se do “BNDES Crédito Cadeias Produtivas” Esta linha de crédito que apresenta características inusitadas, vai, conforme os termos do próprio BNDES, “atender à necessidade de capital de giro de pequenas e médias empresas que integram cadeias produtivas (“PMEs”) de todos os setores da economia.” E isto será feito transferindo o papel de intermediação financeira a grandes empresas, as quais serão as repassadores de crédito para suas cadeias de fornecedores. É um crédito de fornecedores ao reverso, pois o crédito passa a ser concedido pelos adquirentes de bens e serviços que servem como insumos para sua própria produção. É uma jabuticaba urdida para evitar que grandes empresas não tenham que suportar o ônus do esfacelamento financeiro de seus fornecedores, sem que tenham também que arcar com dispêndios de seus próprios recursos. É evidente também que o poder sobre seus fornecedores será ampliado, podendo se refletir na imposição de preços mais baixos para as compras feitas pelas grandes empresas. Enquanto uma solução emergencial, o BNDES poderia ele próprio assumir esta linha de financiamento de capital de giro, já que está inclusive assumindo todo o risco das operações. De qualquer forma, a atitude desdenhosa expressa pelo atual presidente do Banco do Brasil em relação as pequenas empresas, responsáveis por mais de 52% dos empregos no país, sinaliza o ânimo do governo federal em relação a crise que atravessamos.

Cabe assinalar que os últimos resultados do IBGE em relação à pesquisa mensal sobre a situação da indústria corrobora nossa afirmação anterior de que a crise, na verdade, antecede o episódio do Covid-19. O indicador da produção da indústria de transformação, medido por um índice de base fixa onde a média de 2012 é igual a cem, mostra um declínio sistemático desde que as medidas restritivas passaram a dar a tônica da política econômica. Em particular, desde abril de 2015 se mantem abaixo do índice 90; Em fevereiro de 2020 apresenta 86,9; em março 78,3. Quando o impacto da Covid-19 se manifesta, em abril deste ano, o índice cai então para 60,3. É uma queda abrupta, mas que se dá em uma trajetória já declinante. É a aceleração da desindustrialização.

A incapacidade, ou desinteresse, do sistema bancário privado em prover empréstimos ao setor produtivo vem atingindo um paroxismo, entrando em direto conflito com a sobrevivência de crescentes parcelas do empresariado nacional, da pequena e média empresa, dos microempreendedores e da agricultura familiar. A asfixia financeira de micro, pequenas e ´medias empresas, conforme se acentua, acarreta uma perspectiva cada vez mais sombria quanto a uma possível e incerta retomada do crescimento em um cenário pós pandemia.

O que fica evidente é a necessidade de outra orientação nas instituições de crédito público, que as fortaleça e direcione para ações comprometidas com as necessidades de desenvolvimento da sociedade brasileira, com o sistema bancário público ampliado e com alta capilaridade, e subordinada a diretrizes de política econômica – nesse momento, o salvamento da economia brasileira face à crise, em primeira instância, e a promoção da retomada econômica. Desenvolvimento este que, em todos os seus diversos aspectos, incluem prioridades opostas aos atuais rumos da política econômica e social ora praticadas.

A contração da atividade econômica e a ausência de linhas adequadas de crédito vem sendo fortemente percebida na produção agrícola familiar. Trata-se de segmento econômico formado por mini e micro unidades produtoras que respondem por um papel estratégico na segurança alimentar, pois sua ampla e diversificada oferta agrícola é responsável pela maior parte (70%) dos gêneros alimentícios consumidos internamente.

Em pesquisa de sondagem realizada, no início do mês de junho de 2020, pelo governo de São Paulo sobre os Impactos da Pandemia da COVID-19 nos agricultores familiares do estado, 48% dos entrevistados manifestaram interesse em acessar o sistema de crédito rural emergencial, entre 10 a 15 mil reais. A pesquisa aponta, também, a pouca utilização desses agricultores nas chamadas públicas de compras governamentais (54% dos entrevistados manifestaram interesse em participar das Chamadas Públicas), dando portanto indicativos da necessidade de uma melhor comunicação e estratégia de apoio das instituições que executam essas políticas junto aos seus beneficiários, o que poderia ser através de um trabalho intensivo de comunicação e de extensão rural.

Do ponto de vista do acesso ao crédito os dados apresentados na pesquisa revelam a necessidade de lançamento de um projeto emergencial de financiamento, conjugado à revisão da operacionalização dos programas de crédito ofertados pelo governo federal.

Diferentemente da grande empresa rural capitalista que apresenta concentração fundiária extraordinária e que se beneficiou do desenvolvimento das forças produtivas nacionais de forma internacionalmente competitiva, o pequeno produtor rural familiar não encontra suporte governamental adequado. Se ressente de políticas de compras afirmativas por órgãos públicos nas diferentes esferas de governo, de suporte logístico e políticas de crédito compatíveis com o papel que representa perante a sociedade brasileira.

No plano econômico a produção familiar rural não se classifica mais no antigo modelo de economia de subsistência, em que o produtor e sua família plantam para o autoconsumo, vendendo no mercado apenas o excedente não consumido. Hoje o produtor rural familiar planta fundamental e tipicamente para o mercado. Por ser de pequeno tamanho não possui condições ou possibilidade de formar estruturas não concorrenciais, nem impor preços ao mercado. Por sua pequena força, não existe qualquer possibilidade de tentativa ou exercício de cartelização, monopólio ou oligopólio. O mais valioso de sua atividade econômica é a qualidade e quantidade de sua produção de gêneros alimentícios de primeira necessidade, essenciais à sobrevivência e à saúde dos consumidores urbanos. São normalmente produtos agrícolas frescos e saudáveis, como verduras, hortaliças, tubérculos e frutas, de presença constante e diária na mesa dos consumidores urbanos. Eis aí a grande função social da agricultura familiar.

No plano social, destaca-se a geração de emprego no campo para o produtor e sua família, evitando a migração descontrolada dessas famílias para a periferia de médias e grandes cidades, para viverem em favelas ou habitações subnormais.

No plano ecológico, a mini ou micro unidade moderna de produção rural familiar, em geral, situa-se sempre bem próxima ao mercado consumidor ao qual serve, localizando-se numa espécie de “cinturão verde”, minimizando assim os custos de transporte, e reduzindo o consumo de combustíveis fósseis.

A superação da crise sanitária e a retomada da atividade econômica nacional irá demandar uma política radicalmente diversa da que vem sendo aplicada desde 2015. Além da reversão do quadro legal que trava o gasto público, medidas direcionadas ao fomento das atividades estratégicas para um desenvolvimento inclusivo e próspero são essenciais. A agricultura familiar é uma destas atividades a serem promovidas, pelo papel que cumpre na segurança alimentar e pelo seu caráter de sustentáculo para a expansão do mercado interno.

Via: outraspalavras

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